Recentemente, a América Latina tornou-se o novo campo de batalha para o comércio eletrônico transfronteiriço da China.

AliExpress, SHEIN e Temu já vêm atuando nesse mercado há algum tempo, e agora, o TikTok Shop também entrou oficialmente na disputa, sendo lançado primeiro no México e no Brasil. Isso significa que as principais plataformas chinesas de e-commerce transfronteiriço já estão todas reunidas na América Latina, prontas para disputar espaço nesse mercado trilionário.

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TikTok Shop entra em cena e inicia uma guerra de preços

A entrada do TikTok Shop na América Latina desta vez mostra que veio preparado. Para atrair vendedores, lançou uma política de 90 dias sem comissão no México e no Brasil, e depois disso cobra apenas 6% de comissão, bem menos que os 16% da SHEIN. Essa estratégia é direta: atrair lojistas com custos mais baixos para ocupar rapidamente o mercado.

E os resultados realmente são bons. Durante a promoção Hot Sale no México no final de maio, o TikTok Shop chegou a quase 800 mil dólares em vendas diárias, mantendo esse desempenho até hoje. Mais importante ainda, em meados de agosto o TikTok Shop vai liberar a operação direta de e-commerce transfronteiriço no México, o que significa que lojistas chineses poderão vender diretamente para o México pelo TikTok, sem depender de comerciantes locais.

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Por que o TikTok atacou primeiro o México?

O mercado mexicano tem algumas características que o tornaram o alvo preferido do TikTok Shop. Primeiro, o México faz fronteira com os EUA e possui um sistema logístico maduro. Muitos lojistas chineses que já atuam nos EUA podem aproveitar a rede logística entre os dois países, enviando produtos primeiro para os EUA e depois rapidamente para o México, sem precisar montar uma nova cadeia de suprimentos.

Além disso, os mexicanos aceitam preços mais altos do que os consumidores chineses. Por exemplo, um cabo de carregamento que custa pouco mais de dez yuans na China pode ser vendido por mais de cem no México. Isso não é porque os mexicanos são especialmente ricos, mas porque há poucas opções de produtos no mercado local, muitos itens simplesmente não estão disponíveis, então eles aceitam pagar mais caro. Esse ambiente de mercado é uma oportunidade natural para os lojistas chineses, que são especialistas em cadeia de suprimentos.

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Os gigantes locais da América Latina estão ficando preocupados

Diante do ataque das plataformas chinesas, o gigante local Mercado Livre (Mercado Libre) já não consegue ficar parado. Recentemente, ajustou sua estratégia, reduzindo o valor mínimo para frete grátis de 79 para 19 reais, além de diminuir o custo logístico para os vendedores. O objetivo é claro: reter usuários com serviços mais baratos e evitar perder negócios para novos concorrentes como TikTok e Temu.

No entanto, a pressão sobre o Mercado Livre é realmente grande. Apesar de ser a maior plataforma de e-commerce da América Latina, com 55% de participação de mercado, muito à frente da Amazon (17,7%), o crescimento das plataformas chinesas é muito rápido. Dados mostram que, até o final do segundo trimestre do ano passado, o Temu já tinha 8,3 milhões de usuários ativos mensais no México, a SHEIN tinha 7,9 milhões e o AliExpress 5,8 milhões. Em comparação, o Mercado Livre ainda lidera com 10,2 milhões de usuários ativos mensais, mas sua vantagem está sendo rapidamente reduzida.

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Logística e pagamento: dois grandes desafios para as plataformas chinesas

Apesar das grandes oportunidades, as plataformas chinesas de e-commerce enfrentam muitos desafios na América Latina. O maior problema é a logística. Brasil e México têm grandes territórios e baixa densidade populacional, com infraestrutura de transporte limitada, o que dificulta garantir a velocidade de entrega. No ano passado, muitos consumidores frequentes de e-commerce no México reclamaram de extravio, atraso e até roubo de encomendas.

Outro problema é o pagamento. Muitas pessoas na América Latina não possuem cartão bancário e o pagamento em dinheiro ainda é muito comum. Por exemplo, no México, apenas 49% dos adultos têm conta bancária, cerca de 66 milhões de pessoas não usam serviços bancários. Se as plataformas de e-commerce não resolverem o problema do pagamento local, muitos potenciais clientes simplesmente não conseguirão fazer pedidos.

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Essa batalha está apenas começando

O mercado de e-commerce da América Latina deve ultrapassar 1 trilhão de dólares até 2027, com Brasil e México sendo os dois maiores mercados, juntos respondendo por metade do setor na região. Para as plataformas chinesas, este é tanto um novo oceano azul quanto um osso duro de roer. Logística, pagamento, operação local — cada etapa precisa ser resolvida para realmente se firmar.

Agora, a entrada do TikTok Shop torna a competição ainda mais acirrada. Com um enorme fluxo de usuários e uma estratégia de baixa comissão, há realmente a possibilidade de rapidamente conquistar muitos lojistas. Mas Mercado Livre e Amazon também não vão ficar de braços cruzados, e essa disputa só tende a ficar mais intensa. Quem vai rir por último? Vai depender de quem melhor se adaptar ao mercado latino-americano.