As eleições americanas de 2024 terminaram com Trump de volta à Casa Branca, um resultado que não apenas alterou o cenário político dos EUA, mas também trouxe uma nova reviravolta para o TikTok. De defensor da proibição há quatro anos a apoiador público hoje, a atitude de Trump passou por uma transformação dramática.

Por trás dessa mudança, será que é apenas uma estratégia eleitoral de conveniência, ou o TikTok realmente vislumbra o fim da proibição?

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O "Relógio da Crise" do TikTok

Em abril de 2024, Biden sancionou a Lei de Proteção dos Americanos contra Aplicativos Controlados por Adversários Estrangeiros, exigindo que o TikTok rompesse todos os laços com sua controladora ByteDance até 19 de janeiro de 2025, sob pena de ser totalmente banido.

A lei foi aprovada com ampla maioria no Senado e na Câmara, deixando o destino do negócio do TikTok nos EUA por um fio.

O CEO do TikTok, Shou Zi Chew, adotou uma postura firme, apelando publicamente várias vezes para que os usuários se opusessem à proibição, mas com pouco efeito. A crise de sobrevivência do TikTok nos EUA começou a se tornar evidente.

No entanto, o retorno de Trump mudou o cenário. Diferente de sua postura dura contra o TikTok há quatro anos, em 2024 Trump se tornou um apoiador público da plataforma. Ele não apenas criou sua própria conta no TikTok, acumulando rapidamente 14,5 milhões de seguidores, como também declarou publicamente várias vezes que "nunca proibirá o TikTok".

A razão por trás disso não é apenas a personalidade "explosiva" de Trump, mas um jogo complexo envolvendo interesses econômicos, estratégias políticas e emoções dos eleitores.

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Apoio Entrelaçado entre Política e Interesses

Por que Trump passou de defensor da proibição do TikTok a apoiador? As razões remontam a dois fatores principais:política eleitoral e alianças de interesses.

1. O Vínculo entre o TikTok e os Financiadores Republicanos

Por trás do TikTok está a Susquehanna International Group (SIG), um dos principais acionistas da ByteDance. Esse fundo de hedge participou do investimento inicial na ByteDance em 2012, e seu fundador, Jeff Yass, detém hoje mais de 7% das ações da empresa, com uma fortuna de US$ 40 bilhões. Mais crucialmente, Jeff Yass tem laços estreitos com o círculo de Trump. Este ano, ele doou US$ 80 milhões para a campanha de Trump e fez lobby ativo entre legisladores republicanos contra a proibição do TikTok.

Esse vínculo de interesses deu ao TikTok uma margem de manobra no complexo ambiente político dos EUA. A influência de Jeff Yass não se limita às doações; através de sua estreita conexão com o círculo central de Trump, o TikTok teve a oportunidade de acessar figuras-chave na formulação de políticas.

2. Insatisfação com o Meta

O apoio de Trump ao TikTok também está ligado à sua "rixa pessoal" com o Meta. Após o incidente do Capitólio em 2021, plataformas de mídia social tradicionais como o Meta baniram a conta de Trump, enquanto o TikTok ofereceu uma nova plataforma para sua voz política. Aos olhos de Trump, o TikTok não é apenas uma ferramenta para contra-atacar os democratas, mas também uma peça para enfraquecer a influência do Meta.

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A Contraofensiva de Sobrevivência do TikTok

Diante da pressão crescente do governo dos EUA, o TikTok nunca parou de contra-atacar.

1. Isolamento Técnico e Operações Localizadas

Desde 2020, o TikTok lançou o "Projeto Texas", investindo US$ 1,5 bilhão para armazenar dados de usuários americanos nos servidores da Oracle, além de adicionar US$ 1 bilhão anualmente para gerenciamento de dados. Essa medida visa isolar fisicamente os dados, reduzindo preocupações externas com riscos de segurança.

Ao mesmo tempo, o TikTok intensificou suas operações localizadas, contratando um grande número de executivos estrangeiros e aumentando continuamente os gastos com lobby para buscar mais apoio político. Em 2023, os gastos com lobby do TikTok nos EUA atingiram US$ 8,74 milhões, tornando-se a empresa de tecnologia chinesa com o maior gasto nessa área.

2. Fosso de Usuários e Ecossistema Comercial

Apesar da pressão da proibição, a base de usuários do TikTok nos EUA permanece sólida. Dados mostram que há mais de 150 milhões de usuários ativos nos EUA, com jovens de 18 a 29 anos sendo o grupo central, com uma taxa de apoio ao TikTok superior a 60%. Além disso, o rápido crescimento do TikTok no comércio eletrônico também lhe garantiu mais valor de mercado.

Em julho de 2024, as vendas mensais do negócio de e-commerce do TikTok no mercado dos EUA ultrapassaram US$ 1 bilhão, com vendas anuais projetadas em US$ 17,5 bilhões, um crescimento de quase 10 vezes.

Esses números não apenas demonstram o potencial de mercado do TikTok nos EUA, mas também fornecem uma moeda de troca para garantir mais tempo de alívio político.

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A Crise Está Resolvida?

Embora a atitude de Trump tenha trazido esperança de ajustes políticos, a crise do TikTok ainda não está totalmente resolvida. O prazo de execução da lei de Biden é 19 de janeiro de 2025, enquanto a posse oficial de Trump é em 20 de janeiro. Essa diferença de tempo pode ser uma janela para o "golpe final" dos democratas.

No entanto, considerando o panorama geral, o destino do TikTok não depende mais inteiramente do governo dos EUA. Com o apoio dos usuários e o sucesso de seu modelo de negócios, o TikTok demonstrou uma forte capacidade de autoajuste. Mesmo que os ventos políticos mudem novamente, o TikTok ainda tem potencial para encontrar novas formas de sobrevivência em meio à crise.

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O TikTok na Onda

A disputa entre o TikTok e o governo dos EUA tornou-se um "item fixo" em cada ciclo eleitoral. Mas nunca antes o TikTok esteve tão perto da vitória como agora. O apoio de Trump pode ser apenas um alívio superficial, mas a força dos usuários e o potencial comercial por trás são os verdadeiros motores que impulsionam o TikTok adiante.

A proibição pode continuar sendo um desafio que o TikTok precisa enfrentar, mas isso não é suficiente para impedir sua ascensão global. Para o TikTok, essa batalha entre ondas e tendências pode estar apenas começando a segunda metade.

O "apoio" de Trump é um começo, mas também uma continuação. A história do TikTok está longe de terminar.