Para os consumidores europeus, os produtos fabricados na China já se integraram discretamente ao seu cotidiano.

De artigos para o lar a roupas e cosméticos, de produtos de alta tecnologia a artesanatos tradicionais, a presença do "Made in China" é onipresente. E essa influência também se reflete nos dados. Em 2024, estima-se que as plataformas de comércio eletrônico transfronteiriço da China enviarão 4 bilhões de pacotes para os 27 países da União Europeia — o equivalente a cada país receber, em média, cerca de 150 milhões de encomendas chinesas. Esses pacotes não apenas carregam a história da ascensão do e-commerce chinês, mas também mostram aos consumidores globais o potencial dos produtos fabricados na China.

China envia cerca de 4 bilhões de pacotes para a UE internacionalmente Fonte: Ministério do Comércio da República Popular da China

Como 4 bilhões de pacotes conquistaram a Europa?

A Finlândia é um exemplo típico. De acordo com dados da Alfândega Finlandesa, as importações de pacotes de fora da UE pelo país dispararam 6 vezes em 2024, saltando de 4 milhões para 25 milhões de unidades. E, entre eles, os produtos chineses dominam quase totalmente, especialmente no segmento de pequenos artigos com valor inferior a 150 euros, representando 87% do total. Em outras palavras, a cada 10 pacotes recebidos, quase 9 vêm da China.

Essa tendência não é exclusiva da Finlândia. Na Espanha, as três principais plataformas de e-commerce chinesas — SHEIN, Temu e AliExpress — já detêm um terço do mercado local de comércio eletrônico. E em mercados importantes como França, Itália e Alemanha, a influência dessas plataformas também cresce ano após ano. De bolsas tote feitas com tecelagem tradicional a roupas de estilo sino-moderno, passando por xampus de água de arroz e drones, os produtos chineses conquistam os consumidores europeus com alta relação custo-benefício e grande variedade.

Além disso, o modelo operacional das plataformas de e-commerce também desempenha um papel crucial. Por meio de experiências de compra interativas, descontos por tempo limitado, ofertas de compras em grupo e outras mecânicas "gamificadas", essas plataformas não apenas tornam as compras mais baratas, mas também mais divertidas.

Plataformas de e-commerce chinesas se enraízam no mercado europeu Fonte: Emarketer

O mercado europeu é uma oportunidade, mas também esconde pressões

Embora o mercado europeu seja cheio de potencial, os desafios não podem ser ignorados. Nos últimos anos, a UE tem discutido a eliminação da isenção de tarifas para mercadorias com valor inferior a 150 euros. Se implementada, os vendedores chineses que focam em produtos de baixo preço podem enfrentar custos mais altos. Para aqueles que operam com margens baixas e alto volume de vendas, isso será um teste severo.

Ao mesmo tempo, a necessidade de localização logística e de serviços está se tornando mais evidente. Os consumidores europeus estão exigindo mais em termos de qualidade do produto, eficiência logística e serviço pós-venda, o que impõe maiores demandas à capacidade de gestão da cadeia de suprimentos dos vendedores chineses. Se a experiência de serviço for insuficiente, eles podem perder vantagem na concorrência.

UE planeja eliminar isenção de impostos para importações de baixo custo abaixo de 150 euros Fonte: vatupdate

Apoio político, "dando suporte" aos vendedores que atuam no exterior

Diante desses desafios, o governo chinês também está apoiando ativamente a expansão do comércio eletrônico transfronteiriço no exterior.

Este ano, a Administração Geral das Alfândegas da China emitiu novas medidas, desde a eliminação do registro de empresas de armazéns no exterior até a simplificação dos processos de exportação, passando pela expansão do escopo do teste piloto de "inspeção antes do carregamento", otimizando as políticas de exportação em várias frentes. A implementação dessas políticas reduz a carga operacional dos vendedores e aumenta sua competitividade nos mercados estrangeiros.

Além disso, o governo continua aprimorando as políticas de suporte fiscal e logístico para o comércio eletrônico transfronteiriço, fornecendo uma base sólida para os vendedores enfrentarem o ambiente complexo dos mercados internacionais.

Quatro medidas de otimização Fonte: Administração Geral das Alfândegas

4 bilhões de pacotes são apenas o começo; o futuro do e-commerce transfronteiriço chinês é promissor

Oportunidades e desafios coexistem no mercado europeu, e os 4 bilhões de pacotes são uma prova do impacto profundo do comércio eletrônico transfronteiriço chinês no mercado global.

Embora as incertezas futuras persistam, uma coisa é certa: com as vantagens combinadas de produtos, plataformas e políticas, os vendedores chineses não vão parar. O mercado europeu é apenas um começo; no futuro, mais pacotes chineses continuarão a cruzar oceanos, carregando a história do "Made in China", em direção a um mundo mais amplo.