Os vendedores que acabaram de lidar com o Prime Day mal tiveram tempo para respirar, e uma nova onda de aumentos nos fretes marítimos já os atinge.

De acordo com dados da Bolsa de Navegação de Xangai, o Índice de Frete de Contêineres de Exportação de Xangai (SCFI) subiu de 1.875,26 pontos em 24 de abril para 3.239,64 pontos em 26 de junho. Em pouco mais de um mês, o aumento foi superior a 72%. O que mais preocupa os vendedores é que esta já é a nona semana consecutiva a atingir novos máximos do ano.

Fonte: Bolsa de Navegação de Xangai

Especificamente nas rotas, a rota de Xangai para a Costa Oeste dos EUA fechou a US$ 6.067/FEU, um aumento semanal de 7%; a rota para a Costa Leste dos EUA a US$ 7.384/FEU, também +7%. A situação na Europa não é otimista – a rota de Xangai para o Norte da Europa a US$ 6.683/FEU (+6% semanal), e a rota do Mediterrâneo está se aproximando dos cinco dígitos, atingindo US$ 9.332/FEU. Segundo agentes de carga, os espaços de contêineres nas rotas diretas para os EUA nos principais portos da China Oriental e Meridional, do final de junho a meados de julho, estão praticamente esgotados. Contêineres lotados e cancelamentos tornaram-se rotina.

Este ainda não é o fim.

Em julho, várias companhias de navegação continuaram aumentando os custos. A CMA CGM anunciou que, a partir de 10 de julho, irá cobrar uma nova sobretaxa de alta temporada para cargas da Ásia para os EUA e Canadá: US$ 3.600 para contêineres de 20 pés, US$ 4.000 para 40 pés e US$ 5.050 para 45 pés. Esses valores são praticamente o dobro dos padrões de abril deste ano – na época, as sobretaxas correspondentes eram de US$ 1.800, US$ 2.000 e US$ 2.530. Apenas este item representa um custo adicional de cerca de US$ 2.000 por contêiner de 40 pés em comparação com antes.

Fonte: CMA CGM

O escopo dos aumentos também está se expandindo. Além da rota da América do Norte, a CMA CGM começou a cobrar sobretaxa de alta temporada para cargas da China para a África Oriental a partir de 1º de julho; a Maersk está cobrando sobretaxas nas rotas do Extremo Oriente para a Índia e Paquistão. EUA/Canadá, Europa/Mediterrâneo, África Oriental, Austrália/Nova Zelândia... praticamente cobrindo as principais rotas mais utilizadas pelos vendedores.

Por que esse aumento de preços é tão forte?

Em anos anteriores, os aumentos de alta temporada geralmente começavam no final de julho, mas este ano começaram no final de abril. Vários fatores se combinaram por trás disso.

Em primeiro lugar, as mudanças na política tarifária dos EUA. Em julho, duas tarifas da Seção 301 entrarão em vigor, uma relacionada a questões de trabalho forçado e outra sobre excesso de capacidade na indústria manufatureira. Para concluir as compras antes da entrada em vigor das tarifas, os compradores americanos anteciparam e concentraram os embarques, elevando diretamente os custos logísticos de toda a cadeia. Simplificando, todos estão correndo para enviar mercadorias, então o espaço de contêineres naturalmente se torna escasso.

Em segundo lugar, o impacto da crise de navegação no Mar Vermelho. Com os navios desviando pelo Cabo da Boa Esperança, a rota se alongou significativamente, o tempo de retorno dos navios diminuiu e a capacidade efetiva continuou a ser comprimida. Embora aparentemente haja nova capacidade sendo implantada no mercado, sob os múltiplos efeitos de desvios, atrasos e congestionamentos portuários, o espaço real disponível para rotas populares não é tão abundante quanto se imagina.

Em terceiro lugar, o efeito cumulativo da preparação para a alta temporada. O Prime Day acabou de terminar, os vendedores consumiram grande parte de seus estoques, e a demanda de reposição explodiu. Além disso, as janelas de preparação para o período de volta às aulas, Halloween, Black Friday e outras grandes promoções de fim de ano também estão se abrindo, fazendo com que a demanda por embarques se concentre.

Fonte: Amazon

Há também um fator facilmente ignorado: o problema estrutural na alocação de espaços de contêineres.

Segundo especialistas do setor, cerca de 70% dos espaços em um navio geralmente são bloqueados diretamente por grandes proprietários de carga por meio de contratos de longo prazo, com tarifas relativamente fixas.

Recentemente, os grandes proprietários estão embarcando concentradamente de acordo com os contratos, ocupando a maior parte dos espaços, reduzindo drasticamente os espaços disponíveis para o mercado spot. Para pequenos e médios vendedores sem contratos de longo prazo, só resta disputar os espaços restantes no mercado spot, o que naturalmente eleva os preços.

O que fazer a seguir?

Diante desse cenário, algumas abordagens podem ser consideradas.

Primeiro, garanta o espaço e fixe a tarifa o mais cedo possível. O mercado espera que os ajustes de tarifas de julho ainda estejam em andamento; 'quanto mais esperar, mais caro fica' não é apenas um susto. Programe os embarques com antecedência sempre que possível; distribuir os embarques em lotes para evitar os picos de tarifas também é uma estratégia viável.

Segundo, reavalie a estrutura de produtos. As flutuações frequentes nos custos logísticos impactam particularmente as categorias de baixo preço e alto volume. Em vez de insistir em margens estreitas, pense em como aumentar o espaço de prêmio por meio de atualização de produtos e construção de marca, usando um tíquete médio mais alto para compensar o aumento dos custos logísticos.

Terceiro, considere a possibilidade de contratos de longo prazo. Para vendedores com volume de embarque estável, vale a pena verificar os requisitos e condições para firmar acordos de longo prazo com as companhias de navegação. Embora os preços dos contratos de longo prazo também se ajustem com o mercado, pelo menos oferecem mais certeza do que 'seguir o mercado' no mercado spot.

Esta onda de aumentos no mercado de frete marítimo persiste desde o final de abril e, no curto prazo, não há sinais claros de desaceleração.

Para os vendedores, em vez de aceitar passivamente cada notificação de aumento, é melhor aproveitar esta janela para reorganizar as estratégias logísticas e de produto. Afinal, no campo do comércio eletrônico transfronteiriço, quem controla os custos consegue vencer a concorrência.