Se você faz e-commerce transfronteiriço na Europa, após 1º de julho, a lógica de envio pode precisar ser repensada.

Primeiro, veja alguns números. Em 2025, 5,8 bilhões de pacotes transfronteiriços de baixo valor entraram na UE, mais de quatro vezes o número de 2022. Cerca de 90% vieram da China. Em média, mais de 15 milhões de pacotes pequenos chegam à Europa todos os dias.

Com tantos pacotes, as alfândegas não conseguem processar tudo. Mais problemático ainda: a UE estima que cerca de 65% dos pacotes têm problemas de subfaturamento ou declaração falsa para evitar impostos. A UE perde até 5 bilhões de euros em receita fiscal anualmente por causa disso.

Por isso, a UE aprovou oficialmente em dezembro de 2025 a decisão: a partir de 1º de julho de 2026, a isenção de tarifas para pacotes de importação de baixo valor (até 150 euros) será cancelada. Todos os pacotes transfronteiriços enviados de fora da UE para a UE com valor não superior a 150 euros terão que pagar uma taxa de importação.

Fonte da imagem: União Europeia

Os 3 euros não são por pacote, mas por categoria de produto.

A primeira reação de muitos vendedores é: pagar 3 euros adicionais por pacote parece aceitável.

Mas a regra real não é assim. Essa taxa de 3 euros é cobrada por 'categoria de mercadoria' — especificamente, com base no código SH da alfândega. Dentro de um mesmo pacote, quantos códigos SH diferentes houver, tantas vezes se pagam 3 euros.

Um exemplo pode ajudar a entender. Três camisetas iguais: se pertencem ao mesmo código SH, após declaração consolidada, paga-se apenas 3 euros. Mas se um pacote contém uma calça jeans e um suéter de lã, que são dois códigos SH diferentes, paga-se 6 euros. Se houver cinco categorias diferentes, a taxa vai direto para 15 euros.

No mesmo pacote, alguns pagam 3 euros, outros pagam 15 euros; a diferença está apenas na forma de declaração.

Outro detalhe importante: produtos que exigem certificação CE, como eletrônicos e brinquedos, não podem usar o canal de declaração simplificada; devem ser tributados por unidade. Quanto mais variadas as categorias e maior o número de SKUs, maiores os impostos acumulados.

Fonte da imagem: Internet

Haverá um segundo golpe em novembro.

Os 3 euros de julho são apenas o primeiro passo. A partir de 1º de novembro de 2026, os envios FBA para a UE terão uma taxa alfandegária adicional de 2 euros.

Essas duas taxas somadas, mais o IVA IOSS existente, aumentam o custo total por pacote para vendedores de envio direto em cerca de 5 a 8 euros.

A situação é um pouco diferente para vendedores FBA. A taxa de 3 euros de julho será adicionada diretamente ao preço de venda do produto pela Amazon, sendo paga pelo comprador. Já a taxa de 2 euros após novembro provavelmente também será refletida no preço. Com o aumento dos preços, a taxa de conversão pode ser afetada.

Fonte da imagem: Amazon Seller Central

Coisas que podem ser feitas agora.

Diante dessa mudança, algumas coisas podem ser preparadas com antecedência.

Primeiro, reorganize os códigos SH comuns e tente consolidar a declaração de produtos similares para economizar o máximo possível.

Segundo, calcule o impacto real nos lucros da 'tributação por código SH'. Para quem tem categorias variadas e muitos SKUs, os impostos podem dobrar após julho. Verifique se a margem é suficiente e se precisa ajustar os preços.

Terceiro, reavalie a viabilidade do armazenamento em armazéns no exterior. Cada envio direto custa 5 a 8 euros a mais; compare com o custo de armazenagem mensal em um armazém no exterior.

Quanto a subfaturar ou usar números de contribuinte incorretos, esses caminhos não funcionam.

A era de 5,8 bilhões de pacotes inundando a Europa está chegando ao fim. Organizar os códigos SH e os métodos de declaração com antecedência é muito mais vantajoso do que arcar com impostos várias vezes maiores depois.