Nos últimos anos, o mercado de comércio eletrônico na América Latina entrou no cenário global como um "cavalo negro", tornando-se um dos polos de crescimento mais promissores no setor de cross-border e-commerce.
De acordo com previsões da Euromonitor, entre 2024 e 2028, o varejo total na região deve crescer a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 6%, enquanto o crescimento do varejo online será o dobro do canal físico, com CAGR estimado em 11%. Embora o varejo online represente atualmente apenas 12,3% do varejo total da América Latina (dados de 2023), essa proporção deve subir para 15,9% até 2028, liberando um incremento de mercado de quase um trilhão de dólares.
Fonte: Euromonitor
Brasil e México lideram, mercados emergentes se preparam
Como os "dois motores" da economia latino-americana, Brasil e México juntos contribuem com 60% do PIB da região e quase dois terços da participação no mercado de e-commerce. Em 2023, as vendas totais de e-commerce nos dois países ultrapassaram US$ 70 bilhões, formando o núcleo do mercado de e-commerce latino-americano junto com Argentina (9%), Chile (6%), Colômbia (6%) e Peru (3%).
Dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que o Brasil ocupa o primeiro lugar na região com 33% do PIB, seguido pelo México (27%), mas países do "segundo escalão", como Chile e Peru, estão atraindo empresas de cross-border com uma penetração online mais rápida.
Fonte: Euromonitor
Gigantes locais constroem barreiras ecológicas, plataformas asiáticas aceleram penetração
No mercado de e-commerce altamente fragmentado da América Latina, a plataforma local Mercado Libre detém uma vantagem absoluta com 26% das vendas no varejo, superando a Amazon (5%) e a Magazine Luiza (3%). Fundada em 1999, a empresa cobre 18 países da América Latina com um ecossistema completo de "e-commerce + fintech + logística" — sua ferramenta de pagamento Mercado Pago já se estende a serviços financeiros como investimentos e seguros, enquanto a rede logística Mercado Envíos garante a entrega de 80% dos pedidos em 48 horas.
Fonte: Mercado Libre
Ao mesmo tempo, as forças do e-commerce asiático estão competindo por participação de mercado com estratégias diferenciadas. AliExpress, Shopee e SHEIN estão crescendo rapidamente em categorias de alta demanda, como eletrônicos (22% do varejo online) e moda (14%), graças à eficiência da cadeia de suprimentos e produtos de alto custo-benefício. Embora a participação de mercado dessas plataformas seja atualmente limitada, sua penetração entre os jovens consumidores já está crescendo exponencialmente.
Fonte: Euromonitor
Consumo de alta frequência impulsiona crescimento, saúde e beleza se tornam nova tendência
Na era pós-pandemia, a dependência dos consumidores latino-americanos em compras online continua se aprofundando. Dados mostram que eletrônicos e produtos digitais ainda são os principais impulsionadores das vendas online (22% em 2023), mas a categoria de saúde e beleza está se tornando a mais promissora, com crescimento esperado de 12% (2024-2028), enquanto alimentos (11%) permanecem na vanguarda do crescimento devido à alta frequência de recompra. Vale notar que a preferência da Geração Z latino-americana (69% da população) por redes sociais e consumo instantâneo está remodelando o cenário de concorrência de categorias — marcas que desejam ganhar vantagem precisam investir mais em social commerce e marketing de conteúdo.
Fonte: Euromonitor
Marketing em redes sociais se torna padrão, barreiras de conformidade exigem atenção
Diante dos 400 milhões de jovens internautas latino-americanos, 93% das empresas já adotaram as redes sociais como principal plataforma de marketing (dados da NTT Data). Por meio de vídeos curtos, live commerce e colaborações com influenciadores, as marcas podem não apenas alcançar consumidores diretamente, mas também ampliar o alcance por meio de compartilhamento social. No entanto, essa terra promissora também esconde riscos de conformidade: as políticas de "isenção de impostos" variam significativamente entre os países, como US$ 30 no Chile, US$ 50 no Brasil e México, e até US$ 200 no Peru. Se o valor do produto exceder o limite, as empresas enfrentarão pressão dupla de aumento de custos alfandegários e atrasos na liberação.
Fonte: kr-asia
Além disso, vários países latino-americanos impõem certificações de segurança e normas de rotulagem rigorosas para produtos como cosméticos e suplementos alimentares. No Brasil, por exemplo, dispositivos médicos importados precisam de licença prévia da ANVISA, enquanto têxteis devem atender aos padrões de qualidade do INMETRO. Recomenda-se que empresas de cross-border priorizem o registro de entidades legais nos países-alvo (a maioria exige capital mínimo registrado) e busquem suporte de equipes de conformidade localizadas para evitar riscos legais.
Fonte: tuvsud
Conclusão
A explosão do mercado de e-commerce na América Latina não é acidental — múltiplos fatores, como aumento da penetração da internet, melhoria da infraestrutura de pagamento e mudanças nos hábitos de consumo, estão criando um efeito de sinergia. Embora Brasil e México ainda sejam campos de batalha essenciais, as oportunidades estruturais em mercados emergentes como Chile e Peru merecem investimento de longo prazo. Para empresas de cross-border, aprofundar a operação localizada, construir uma matriz de social commerce e manter a conformidade regulatória serão as três chaves para abrir esse "novo oceano azul".



