Recentemente, na conferência anual da Aliança Internacional Anticontrafação (IACC) em San Diego, nos Estados Unidos, a plataforma de comércio eletrônico transfronteiriço Temu, do grupo Pinduoduo, assinou formalmente um Memorando de Entendimento (MoU), com foco no fortalecimento da proteção da propriedade intelectual e no combate à falsificação.

Conhecida por seus produtos de baixo preço, a plataforma agora direciona seus esforços para combater produtos falsificados. A Temu se tornará membro fundador do recém-criado Conselho Consultivo de Mercado da IACC, sentando-se à mesma mesa de gigantes como Amazon e PayPal.

Temu e IACC firmam parceria Fonte: The Straits Times

O que é a IACC?

Fundada em 1978 por 15 fabricantes internacionais renomados, a IACC reúne hoje marcas globais de diversos setores após 47 anos de desenvolvimento. A organização combate produtos falsificados promovendo o aprimoramento de leis, auxiliando na fiscalização governamental e educando consumidores. Em 2016, a Alibaba já havia se juntado à aliança; agora, a Temu segue o mesmo caminho, marcando mais um movimento de conformidade internacional por parte de plataformas chinesas de e-commerce.

IACC Fonte: Google

Christine Casaceli, diretora de conformidade de propriedade intelectual da Temu nos EUA, afirmou que a parceria reflete o compromisso da plataforma em criar um ambiente de e-commerce confiável. Na prática, para conter a falsificação, a Temu investiu pesadamente nos últimos anos na construção de um sistema de proteção robusto. As medidas incluem: auditoria rigorosa de vendedores, varredura de produtos 24 horas por dia com algoritmos (combinada com revisão manual), canais de denúncia para marcas e serviços de registro de propriedade intelectual. Essas ações visam os elos centrais da venda de falsificados, bloqueando todo o processo, desde o cadastro até a venda.

Representante da Temu assina MoU Fonte: The Straits Times

Plataformas transfronteiriças intensificam combate à falsificação

Na verdade, combater a falsificação tornou-se uma disciplina obrigatória para plataformas de e-commerce globais. Um relatório recente da Amazon mostra que, em 2024, a empresa apreendeu 15 milhões de produtos falsificados em todo o mundo, um aumento de 1,5 vez em relação a dois anos atrás. Já a plataforma russa Ozon aplica multas diretas: os vendedores pagam 10.000 rublos (cerca de 904 yuans) por cada item falso vendido, sem direito a reembolso.

Além da autorregulação das plataformas, órgãos reguladores de diversos países também estão agindo. No primeiro semestre do ano fiscal de 2025 (outubro de 2024 a março de 2025), a Tailândia processou 18.000 casos de falsificação, com multas superiores a 27 bilhões de bahts (cerca de 600 milhões de yuans). As Filipinas, por sua vez, reuniram 18 empresas para assinar um acordo antipirataria, elevando o combate à falsificação ao nível de cooperação nacional.

Amazon apreendeu mais de 15 milhões de produtos falsificados em 2024 Fonte: PYMNTS

Combate à falsificação é uma batalha de longo prazo

Apesar dos esforços de todos os lados, o combate à falsificação ainda tem um longo caminho pela frente. Como disse Colin Huang, fundador do Pinduoduo: "Combater produtos falsificados é uma batalha prolongada que nunca terá um fim."

Atualmente, as técnicas de falsificação estão em constante evolução, como a separação de embalagens originais de produtos falsificados e o transporte de itens contrafeitos, além da falsificação de relatórios de inspeção, o que aumenta a dificuldade de identificação pelas plataformas. O consenso do setor é que uma única força não é suficiente para erradicar a falsificação, sendo necessária a colaboração entre marcas, plataformas e governos.

À medida que a concorrência no e-commerce transfronteiriço entra em uma nova fase, além da guerra de preços, quem realmente conseguir manter o padrão de qualidade pode ser o fator decisivo para a vitória. A parceria de alto nível da Temu com uma organização internacional envia pelo menos um sinal: as plataformas chinesas estão levando isso a sério desta vez.