No contexto do crescente mercado global de animais de estimação, uma disputa pelo mercado de "comida" está se deslocando da América do Norte para a Ásia e gradualmente se espalhando para outros cantos do mundo.
A ração para animais de estimação, um segmento que por muito tempo foi dominado por marcas estrangeiras, está passando silenciosamente por uma "mudança" estrutural. E as marcas chinesas estão tentando passar do papel de OEM nos bastidores para construtoras de marcas voltadas para o consumidor final.
Essa transformação não acontece da noite para o dia.
Na verdade, nos últimos cinco anos, a indústria de ração para animais de estimação da China acumulou um superávit comercial de mais de US$ 8,2 bilhões, ganhando competitividade global sob o rótulo de "grande exportadora".
Por outro lado, a indústria também percebeu que o crescimento das exportações impulsionado apenas pelo preço e escala não consegue realmente construir valor de marca e reconhecimento do consumidor.

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Sudeste Asiático como trampolim, Europa e Américas continuam sendo o topo
Olhando para o panorama geral do mercado, em 2024 o mercado global de produtos para animais de estimação atingiu US$ 296,8 bilhões, com uma taxa de crescimento anual composta de 5%, dos quais mais de 40% foram contribuídos pelo mercado norte-americano.
Nos EUA, quase 60% das famílias têm cães e mais de 40% têm gatos, com alto poder de consumo e consciência de consumo madura. Fora desse mercado de alta barreira de entrada, o Sudeste Asiático está rapidamente se tornando um novo foco da economia pet.
A taxa de posse de animais de estimação na Tailândia, Indonésia, Filipinas, Malásia e outros países já se aproxima de 50% a 60%, especialmente o consumo de gatos, que cresce de forma particularmente rápida. Estima-se que até 2030, o mercado pet do Sudeste Asiático ultrapasse US$ 25 bilhões.
Essa mudança geográfica estrutural oferece uma janela de oportunidade para as empresas chinesas de ração para animais de estimação.
Em meio às altas barreiras de marca, regulamentações complexas e concorrência acirrada nos mercados europeu e americano, as vantagens de políticas, custos e hábitos de consumo do Sudeste Asiático, mais próximos dos da China, tornam a região um "campo de treinamento" para muitas marcas chinesas de animais de estimação.
Fonte: Relatório de Análise de Exportação de Ração para Animais de Estimação da China 2025, da EO Intelligence
Marcas de exportação começam a se destacar, mas deficiências estruturais persistem
Embora algumas empresas chinesas já tenham mostrado presença inicial no mercado externo, como marcas de produtos inteligentes para animais de estimação como Nuoxue, Xiaopei e CATLINK, que se expandem rapidamente no Sudeste Asiático e nas Américas, no segmento de ração para animais de estimação, a força das marcas exportadoras ainda é frágil.
As empresas representativas atuais de exportação se concentram principalmente em players de destaque como Zhongchong e Guaibao. Embora possuam marcas próprias como Zeal, Wanpy e Great Jack's, a maioria ainda é focada em petiscos, e os produtos de ração principal ainda estão em fase de teste.
Este é um setor onde as barreiras tecnológicas e de marca se sobrepõem. A ração principal para animais de estimação envolve ciência da nutrição animal, desenvolvimento de fórmulas e sistemas de rastreabilidade de ingredientes, combinados com a alta exigência dos consumidores estrangeiros por rótulos "saudáveis, orgânicos e funcionais", deixando pouca margem para erros das marcas.
Mesmo que o mercado doméstico já esteja acostumado com a proposta de "alta relação custo-benefício", no mercado externo essa lógica muitas vezes falha. Por exemplo, marcas estrangeiras estabelecidas como Royal Canin e ZIWI, mesmo com preços elevados, continuam dominando o mercado premium.
Se as marcas chinesas quiserem se firmar, não podem depender apenas de custos; precisam construir um novo mecanismo de diálogo entre o poder do produto e a confiança.

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As mudanças no mercado chinês estão moldando o caminho de exportação inversamente
Ao mesmo tempo, o mercado consumidor local da China também está passando por uma mudança estrutural, com o número de gatos já superando o de cães, tornando-se o principal motor do segmento de ração para animais de estimação.
A população solteira e a Geração Z têm gatos como companhia emocional, impulsionando a economia de "adotar gatos virtualmente" e o consumo de produtos para gatos. O comportamento de compra dos usuários também está mudando de compras de estoque para compras regulares, mostrando maior lealdade e adesão à marca.
Essa evolução dos hábitos de consumo oferece às empresas uma importante inspiração para o planejamento internacional: para ganhar espaço de longo prazo no mercado internacional, as marcas devem fazer a transição de vendas únicas para a gestão contínua de relacionamentos.

Fonte: Relatório de Análise de Exportação de Ração para Animais de Estimação da China 2025, da EO Intelligence
Estrutura de exportação diversificada, mas dependência estrutural ainda exige atenção
A rápida ascensão do mercado do Sudeste Asiático também revela outro problema: a maioria das empresas chinesas ainda está "exportando produtos", e não "exportando marcas".
Os dados mostram que os destinos de exportação da ração para animais de estimação da China estão concentrados principalmente na Ásia, Europa e Américas, com o valor das exportações para a Ásia crescendo de US$ 377 milhões em 2020 para US$ 582 milhões em 2024.
Em contraste, a estrutura de importação é dominada pelas Américas, indicando que a China ainda depende de certas rações premium importadas.
Mais importante, entre as principais categorias de exportação, os alimentos enlatados são a única categoria com déficit comercial. O déficit acumulado em cinco anos é de aproximadamente US$ 310 milhões, refletindo a deficiência da China em P&D e capacidade de marca em produtos úmidos e funcionais.
Por outro lado, a ração seca embalada para varejo e os produtos aditivos apresentaram superávits de US$ 3,438 bilhões e US$ 5,081 bilhões, respectivamente, indicando que as empresas chinesas já têm vantagens de escala nessas duas categorias básicas, mas ainda estão longe de "ocupar a mente do consumidor".
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Exportação não é mais apenas vender para fora, é uma atualização sistêmica
Para se livrar verdadeiramente do rótulo de "fabricante terceirizado", as marcas chinesas de ração para animais de estimação precisam reavaliar seu caminho de globalização. A exportação futura não será mais apenas construção de canais e oferta de produtos, mas um projeto sistemático que avança em múltiplas frentes: "marca + capacidade produtiva + canais + riscos".
Por exemplo, no Sudeste Asiático, realocar a produção para Tailândia, Camboja e outros locais pode não apenas evitar alguns riscos de atritos comerciais internacionais, mas também se aproximar das fontes de matéria-prima, reduzindo custos de logística e armazenamento. Ao mesmo tempo, usando plataformas de cross-border e-commerce para alcançar consumidores finais, com combinações flexíveis de produtos e marketing de conteúdo, é possível construir rapidamente reconhecimento no mercado local.
Já em mercados maduros como Europa e Américas, é necessária uma estratégia de branding de longo prazo. Algumas empresas já estão acumulando experiência através de OEM/ODM e, em seguida, construindo gradualmente o reconhecimento de sua marca por meio de sites próprios, participação em feiras de animais de estimação e obtenção de certificações como a FDA.
Além da construção de marca, algumas empresas podem tentar colaborar com pequenas e médias empresas locais, ou até mesmo por meio de aquisições, para entrar em nichos verticais, obter vantagens na cadeia de suprimentos ou tecnologia e, assim, formar um ciclo operacional localizado.

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Considerações Finais
No geral, as marcas chinesas de ração para animais de estimação já saíram da primeira fase de "produção dominante" e estão entrando em um novo ciclo centrado na "marca como núcleo".
Sob a dupla sobreposição da transformação estrutural da indústria e da evolução do mercado global, a exportação não é mais um teste de algumas empresas, mas uma oportunidade de atualização para toda a indústria.
O caminho já está traçado, mas cada passo não é fácil. É preciso acertar o ritmo e avançar de forma constante.



